terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sombras, Nada Mais ( inédito)

Sombras, Nada Mais

É só uma ligação 
Um fantasma no coração 
Adormecido 
Sinal da cruz na oração 

É fria a emoção 
Miragem, sangue no chão
Sombras 
Nada se faz sem paixão 

É hora de partir 
Toca o sino do sentir 
Surge só no fim do dia 
O sol se pôs, não sabia 

A vida é filosofia 
Com toques de magia 
Toca o sino do sentir 
É hora de partir 

Toca o sino do sentir 

É só uma ligação 
Sombras, nada mais 
Nada se faz sem paixão 
Um fantasma no coração 


Lino Cunha ( 2015) 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O Cálice Sagrado

O Cálice Sagrado 

Sob um ar inocente 
Um olhar ausente 
Como uma chama 
Ardendo sem vela 
Pinturas feitas na tela 

Vês mil estrelas cadentes 
Nesse espaço ardente 
Mil desejos de duendes 
No céu permanente 

Carne amada 
Quem, evoco 
e faço canto 
Na negra solidão da alma 

Como o vinho derramado 
No cálice sagrado 

O cálice sagrado 
Nunca antes encontrado 
Nunca antes alcançado 


Lino Cunha ( 1994)



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Miragem da Solidão


Miragem da Solidão 

Observa as palavras da miragem da solidão 
Vamos começar uma ilusão 
Uma historia da imaginação 
Segura a respiração

Evocações são convites  
Convites da era do sonho 
Portas rápidas, estrelas de fogo 
O fim do Outono

Ler um poema de amor 
Sentada no comboio a vapor 
Encanto hipnótico?
ou exótico...

Portas rápidas, estrelas de fogo  
O Fim do Outono 

Lino Cunha ( 1990) 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Não é Sorte Ser Poeta

Não é Sorte Ser Poeta 

Não é sorte ser poeta 
Nem infortúnio não o ser 
As palavras surgem, involuntariamente 
Sussurros sem ter 
Onde escrever 
Murmúrios por entender  

Lino Cunha (1987)  

Estranho

Estranho 

Agora és um estranho 
O incomum 

Se ousares falar 
Equilíbrio perdido até cair 
Aviso na porta
 Não entrar 

Se ousares rir 
Alegria, não dividida 
Até desmaiar 
Silêncio ao redor 
Tens de partir

Genuíno  êxtase de ódio puro 
Mentes intoxicadas pelo orgulho 
Sufocados pela sinergia 
de uma suposta liturgia 

Agora somos todos estranhos 

Lino Cunha ( 2012) 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A poeira do binóculo alheio

A poeira do binóculo alheio 

Do espaço silencioso 
que pensavas morto
Ego inflamado, áspero, fechado 
Falso afecto, no elogio disfarçado 

Já não sentes a euforia 
Apenas a poeira do binóculo alheio 
Está longe a áurea, creio 
Disparos da noite sombria 
Onde aquele abraço 
Protegia!   


Lino Cunha ( 2017) 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Trezentos Invernos



Trezentos Invernos 

Bebe morada 
O sangue meu 
Escuta e quebra 
as prisões da humanidade 

Despe o manto 
ao céu, e foge 
Por entre a folha 
que pertence ao nada 

Bebe morada 
Caverna do infinito
Trezentos invernos 
Trazes em nós 

Bebe morada 
O sangue meu 


Lino Cunha ( 1996)